Meu jardim era s贸 teu, mas ele se arruinou aos poucos. Foi morrendo e secando com sua pr贸prias l谩grimas de dor sendo derramadas. E ent茫o fracassado meu jardim morreu, em teus bra莽os que pouco se importou com minha partida, as rosas vermelhas que incendiavam a noite secaram, ca铆ram ao ch茫o por uma morte em v茫o. As tulipas claras, acalmavam a tarde com o aroma bom, de leveza incompar谩vel dan莽avam e cantavam junto aos p谩ssaros amarelos que irradiavam os dias bonitos daquele lugar. Mas enfim, existia no fim do jardim, repleto de cores, aromas e amores um l铆rio, pr贸ximo ao abismo que insistia em viver, que clamava por teu calor. Teus cuidados, amor. E esse l铆rio era eu, mas voc锚 se desprendeu, se desgarrou. E eu fui murchando, fui morrendo e me acabando. O c茅u nublado, continuava nublado. Sem chuva, s贸 l谩grimas regavam a terra. L谩grimas de dor, decep莽茫o, vazias de amor, mas certo dia ouvi barulhos de passos tr茅mulos. Com medo ou n茫o, o caminhar era vagaroso, bem devagar. Se arriscou, e tentou. Meu jardineiro voltou. Ou ser谩 que n茫o? Voltou sim, mas era outro. O novo jardineiro com seu novo jardim e o c茅u n茫o desabou, e o sol novamente raiou. E diante do abismo ele me cuidou, mesmo sabendo que poderia morrer. Foi ent茫o que percebi, aquele jardineiro me amou. E eu amei a ele tamb茅m. O l铆rio claro, pode desbrochar, reviver. Reamar.

Liriar. (via liriar)