Foram as cláusulas desse contrato com o inferno que assassinaram o corpo. Inicio de tarde, começo da morte. Chá de camomila, e o tempo foi se esvaindo. Até a noite cair, não demorou muito para a solidão partir. Da janela clara da pra ver lá fora, o mundo diabólico. Está tão frio lá fora, e o frio vem aqui dentro, bate no peito e congela o coração. O barulho da janela é inaudível mais uma vez, lá de fora a noite cai. Mas as estrelas sumiram cansaram de brilhar, pra quem não quer admirar. A lua pouco aparece, farta como quem cansou de esperar. Um tanto desgosto, para aqueles que deixaram de amar. A luz se esvai, longe do acinzentado do céu, nem dá pra ver os passarinhos cantando junto ao amanhecer. Vidas vazias, corações porcos. Morte vivida, vida morrida. De casa, nenhum barulho é ouvido, deve ter algum mostro escondido dentro do armário ou quem sabe dentro de mim, bem aqui. O pulso que palpitar e alma chorar, não se vive mais. Não se quer mais, morte na certa. Solidão sombria, que assombra aqueles que vivem. O chá quase congela, feito eu. Paralisada, olhando. Os ruídos, os barulhos, procurando vestigos tentando entender o porquê. Passeiam por ai, mal se conhecem, mal se vivem, mal se amam. Só tem presa, correia e aqueles que desamam. Vivi em meio as ilusões, o mundo não muda mais. Quem fica mudo é eu. Meu ser quer gritar o desamparo, o desamor. E toda essa dor, não pedi a vim a este mundo. Deixei o chá cai, mãos tremulas mais uma vez, e o choro desaba na imensidão do silêncio. O pranto de quem chora, a dor daqueles que vivem. Não se pode gritar, se não todos podem me matar. O silêncio de quem não tem alma, é precioso. E a dor de quem tem sentimento é privilegio. O mal é que eu assinei o contrato de vida e acabei morrendo no inferno.
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Liriar. (via aconselhavel)




