Vieram-me perguntar porque eu ai de ser uma pessoa tão fria assim. Antes de começar a falar acendi logo um cigarro, guardei o isqueiro no meu bolso e comecei a contar a história por completo, nada de “era uma vez” comecei logo pelas partes ruins. Nem eu conseguia acreditar em tantas coisas que já vivi em 17 anos. Lembrei-me de como tudo era tudo tão fácil, acreditava em qualquer sorriso que me ofereciam, fazia pouco caso dessas briguinhas quaisquer, pois tudo uma hora iria passar. E o quanto me doeu crescer, me tornei independe de muitos carinhos que me fizeram falta em noites frias, mas com a independência vieram vários vícios, acho que é de costume, são apenas vícios de um jovem querendo aprender a respirar em meio a tantas mentiras. Mas o maior vicio com certeza foi o amor, ah sim, esse superou até meu simples cigarrinho que aprendi desde cedo a tragar, mas logo após a tragada eu o liberava em uma forma plena de mim solta pelo ar. Mas com o amor foi diferente traguei e lá ele permaneceu, dentro de mim, dificultando minha respiração. Tentei parar pois isso estava-me fazendo mal, mas não estou falando do cigarro; esse não me separo nunca mais, mas calma pois as piores partes estão por vim. Cara, o amor foi uma das piores drogas que já experimente, e olha que já experimentei algumas pesadas, ele causa dependência logo no primeiro uso, Não precisar ir em “baladinhas” ou ir atrás de alguém que te pudesse vender, essa droga de amor usava-se em qualquer lugar, principalmente na frente de todo mundo, que logo de primeira eles te admiravam, você se sentia o “bam bam bam”, mas uma hora esse efeito nostálgico iria passar (…) Por mim passou muito rápido, questão de segundos, ou ate milésimos. Então procurei refúgio em bebidas alcoólicas, drogas, mas o pior foi procurar esse amor em pessoas vazias. Muitos não me compreenderam, eu sei que sou difícil de compreender, deve ser porque ninguém nunca tentou de verdade, porque se tentasse eu me sedia ao primeiro sorriso. Tive que aprender a lidar com a solidão de um abraço andando lado a lado comigo, acostumei… Mas isso me custou o calor de viver, e sem esse calor me tornei essa pessoa vazia, fria, sem sentimentos.
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Parte da História do Wilkeer Souza (via espeliarmus)

