O tédio consome a madrugada. E nesse tédio, decido escrever, como de costume. O tempo passa, o tempo se perde nessa noite. Sem ideias, vou jogando palavras como se fossem papéis em um pequeno lixeiro qualquer. A dor de cabeça, consome a noite inteira. Remédios não bastam, o sono não aparece e a noite não vira. E que por ser algo que permanece em minha cabeça, essa dor insuportável, logo vem o teu nome. Não o nome da garota que eu amo, ou do garoto que praticava bullying há alguns anos atrás. Não. O nome disso, não sei como dizer, nem como apelidar. Só sei que é. Não sei se é algo ou alguém, só sei que me atormenta. E a minha cabeça explode milhões de dúvidas ao lembrar deste nome que a inferniza. Que tira as minhas madrugadas para escrever. Esse nome, que não foi registrado no cartório e nem possui o nome na caderneta escolar. Nome próprio também não é, nem substantivo simples. É um nome, um nome… Mas que nome? Não sei, quem sabe? Alguém? Algo? Alguma coisa? O que, então? É a minha dor de cabeça? Ou a minha própria cabeça que provoca essa dor? É uma confusão? Uma pergunta? Uma resposta, ou uma opção? Não, ninguém sabe, ninguém responde. Ninguém. Alguém que não existe, não. Não, porque o que não existe não é alguém, algo, alguma coisa. Então que nome é esse? É você? Não, não é você. Mas também não é ela, nem ele, nem aquele, nem aquilo, nem este, nem isto. Nem é, nem. Não, nunca. E o que será? É uma dor sem cura. Um remédio sem doença, uma solução sem problema, uma questão sem resposta. Há alguém que desvende esse mistério? Ou não há mistério a ser desvendado? O que há comigo? Há algo? Ou algo não existe? Há alguém? Não, há um nome, que em plena madrugada, não sai dessa minha confusa mente. E esse nome vem à tona. Eu. Sim, sou eu. Primeira pessoa do singular. Pronome. Eu, só eu. Apenas. E o que é isto? Eu? Não sou algo, mas sou alguém. E esse alguém, que pode ser eu? Mas se esse eu, é um problema, como posso ser alguém? Eu posso ser uma pessoa, posso ser um adjetivo ou uma solução. Assim como posso ser uma metáfora e também posso ser um sinônimo. Eu, dor, confusão. Apenas isso, nesta vasta madrugada que assombra minhas dúvidas.

Gabriel Malaquias  (via erronizar)