Estava em meu quarto conversando com o tempo. Conversando sobre a vida, sobre as coisas, sobre o mundo. Ainda conversava com o tempo quando você chegou, fiquei feliz. Você perguntou qual o motivo da minha felicidade, eu simplesmente respondi; ter você aqui comigo. Você deitou ao meu lado na cama e começou a me fazer cócegas, nós rimos a noite inteira. Pela manhã quando acordei não estavas mais na cama, então chorei. Um alguém adentrou ao quarto, viu-me chorando e perguntou “Porque choras moça linda? Há um mundo lá fora, depois da tua porta que te espera cheio de flores!”, e eu respondi que o mundo lá fora pra mim não mais interessava, que o mundo no qual eu estava vivendo havia partido, partido sem ao menos deixar um bilhete. O moço, que eu não sabia quem era e nem porque estava lá, abriu um sorriso e levou-me para beber um copo d’água. Bebi a água, e ao voltar da cozinha o moço insistiu para que eu fosse tomar um ar, esfriar a cabeça, eu rejeitei. Começou a chover e o moço ainda estava ali, me dei conta que algo de errado estava acontecendo no decorrer do dia. “O que aquele moço ainda fazia ali?”, eu me perguntava. Quando não mais aguentou esperar alguém bateu na porta, fui atender, abri-la e novamente chorei. Ao abrir aquela porta vi que o meu mundo havia voltado pra mim, e realmente como o moço tinha dito, ele me esperava depois da porta cheio de flores, agora acabadas pela chuva.
— Não deixe pra amanhã o que podes fazer hoje
—
Sentimento Importuno. (via renascedor)

