Era apenas um pequeno sentimento. Mal tinha criado raízes, não consegui se sustentar com os próprios pés berrava e questionava o porquê de ter crescido em nos tão cedo, tão prematuro, mas tão querido e amado. Que então se tornou uma esperança, que foi preenchendo os traços do teu rosto, que brincava em meus lábios, suspirava em nossas palavras, alimentava teus sonhos, meus ideais, nossos dedos entrelaçados. Aos poucos foi se tornando uma palavra que crescia e crescia que arfava e saia por entre teus gestos, traços do meu peito, cifras de uma cantiga sobre as fronteiras de nossos corpos. Desconheço o caminho dos teus pés. Há muito que não habito tua memória, mudaste as rotas, adiaste os ponteiros, conversaste com o tempo e convenceu-o que não seria mais transeunte de teus traços e palpitações. Não entendo o porquê da despedida. Me dá esperança. Deixa-me com alguma vertigem, vontade, ambição. Me deixa fazer uma oração por nós, me deixa pedir por você, fazer uma musica, uma rua, construções com tudo que mora dentro de mim que é nosso. Não há porque silenciar tudo, o acaso não é nosso amigo. Dentro de mim já não é tão confortável? Essa mesma rotina não lhe serve mais de moradia? Será que tudo que dei foi escasso dentro da sua sede? Esbraveja teus medos, me arranha com as tuas insônias, doa tuas palavras não ditas, se entranha debaixo dos meus olhos, bebe dos meus carinhos e adormece com meu peito arfante. Apenas não diga que quer escorrer pelos meus dedos. Ajoelha-se do meu lado, cruza tuas mãos no peito, fecho os olhos e escorreu teus ansiosos pelo meu rosto. Me olha e diz que vamos cuidar um tanquinho mais de nós. Uma reza para todo o céu ouvir.

Quando ela se foi.