As pessoas são como livros. Algumas são livros grandes, grossos, cheios de mistério e ainda possuem tranca. Já a maioria não chega a trezentas páginas, mas isso não quer dizer que ele não seja interessante. Em todo caso é assim que vejo as pessoas. Como livros e eu as leio. Pacientemente leio cada uma das que me interessam. As vezes vejo algumas pessoas que tentam camuflar suas páginas e dificultam a interpretação do leitor, mas se for um leitor observador, nada vai poder evitar que ele as leia. Basta estar atento aos detalhes, as pequenas notas de rodapé em itálico e tudo fica mais fácil de entender. A questão é que a grande maioria não sabe ler. Dos que restam, poucos se interessam em entender as outras pessoas. E dos que se interessam em entender, uma minoria é que lê as pessoas até o fim. Não é um processo fácil para quem não está acostumado, mas também não é difícil. Seria até uma boa ideia que abrissem cursos de como ler as pessoas. Só ai nós descobriríamos o porquê de aquele garoto está roubando ou daquele garoto tirar notas ruins na escola. Mas não. É bem mais fácil para a sociedade apenas rotular as pessoas. Tira notas baixas? É burro. Roubou? É vagabundo e merece ir preso. Mentiu? É falso. Disse a verdade? É ignorante, grosso e atrevido. Prefiro não dar nome aos bois antes de terminar minha leitura sobre aquela pessoa. Pode ser que aquele cara que roubou seja realmente um bandido, mas e se ele estava desesperado por ver seus filhos passando fome? Enfim, cada um com sua opinião. Dizem que sou ruim. Talvez eu seja mesmo, no ponto de vista egoísta que as pessoas carregam em suas míseras cabeças. Bom, agora é hora de eu terminar mais um bom livro…
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Dos livros - Lavic Bolches.
