Eu sĂł tenho certeza de uma Ășnica coisa: O tempo passa. E cara, como passa rĂĄpido. Eu jĂĄ vivi quase 17 anos e atĂ© agora eu nĂŁo fiz nada de tĂŁo especial. Sei lĂĄ. Parece que eu parei no tempo, parece que todos a minha volta acharam sua essĂȘncia perdida, sĂł a minha que ainda estĂĄ enterrada em algum buraco ridĂ­culo. Eu to na mesma merda que estava hĂĄ quatro anos atrĂĄs, e o mais engraçado Ă© que eu sempre digo que ano que vem vai ser melhor, que o prĂłximo dia vai ser especial e mais um monte de ”blabla” Mas olha pra mim? Parece que eu estou melhor? Parece mesmo que esse ano vai ser um ano pra ser lembrado e contado a todos com um sorriso no rosto? Sei lĂĄ. Ta tudo tĂŁo igual, tudo tĂŁo na mesma, Ă© como se os dias se repetissem e mudassem apenas o clima e a hora, sĂł. Eu nĂŁo sei se Ă© sĂł comigo que isso acontece, sabe essa sensação de ser insuficiente demais, de ser muito imperfeita, ou de nĂŁo ser especial o bastante. É uma droga se sentir um lixo, porque quando vocĂȘ se sente assim, nĂŁo tem nada que possam te falar pra te fazer se sentir melhor, porque vocĂȘ passa tanto tempo ouvindo mentiras que quando alguĂ©m olha nos seus olhos e diz uma verdade, vocĂȘ duvida. Porque a vida Ă© assim, Ă© difĂ­cil olhar pra si mesmo e reconhecer as qualidades, porque vocĂȘ passa tanto tempo se auto criticando que quando vai se elogiar vira tipo uma missĂŁo impossĂ­vel. Eu passo por isso sempre, Ă© como se eu vivesse numa caixa ridiculamente redonda e abafada. Eu to sufocando, vocĂȘ ta me ouvindo? Eu devo gritar? Ou apenas esperar? Isso Ă© sĂł uma fase ruim ou Ă© o começo de uma vida ainda mais ridĂ­cula? AlguĂ©m me responda, por favor. Essas incertezas estĂŁo me matando. Dizem que sempre existe uma luz no fim do tĂșnel, uma força maior que te tira do poço e que te ergue a cabeça, um abraço amigo que te acolhe e te aquece. Dizem que para todo sofrimento tem uma alegria ainda maior. Dizem. Mas quem poderĂĄ dizer que existe razĂŁo nas coisas feitas pelo coração?!

Mallú Viterbo