Eu estava ansiosa para esse dia logo chegar. Confidenciei a todas as amigas a grande novidade: finalmente eu iria te ver. A emoção tomava conta de mim, meu coração disparava toda vez que enunciava teu nome. Os dias passavam devagar e eu nĆ£o estava aguentando mais de tanta ansiedade. Finalmente chegou o grande dia. O dia em que eu ia poder lhe tocar pela primeira vez, que eu ia poder lhe abraƧar bem forte e nunca mais soltar. Tomei um banho, coloquei a roupa mais bonita que eu tinha, me enchi de perfume (o meu preferido),pronto, agora só faltava uma coisa: eu te encontrar. Fui ao teu encontro. Minhas mĆ£os soavam frio, eu estava nervosa, ou melhor, eu estava muito nervosa! Em minha cabeƧa fazia diĆ”logos prontos, ficava imaginando o que eu iria lhe dizer quando lhe encontrasse. Eu estava uma tagarela, pior que papagaio, ninguĆ©m no carro me aguentava. Quanto mais chegava perto do aeroporto mais meu coração disparava e mais eu ficava nervosa. Cheguei ao aeroporto, desci do carro e sai feito uma maluca. Passos largos e acelerados e o coração a mil por hora. Fui ao balcĆ£o de informaƧƵes, e a moƧa informou que em breve o aviĆ£o iria pousar. Pronto, eu ia enfartar!! Andava de um lado para o outro, faltava pouco para eu furar o chĆ£o, olhava a toda hora o relógio, contava os minutos, os segundos. Olhava ao televisor que anunciava os pousos dos aviƵes e cadĆŖ o bendito aviĆ£o que nĆ£o pousava? Eu jĆ” estava a beira de um ataque de nervos, atĆ© que o bendito do aviĆ£o pousou. Abri um sorriso. A Ćŗnica coisa que sabia fazer naquele momento era fixar meus olhos ao corredor de saĆ­da. As pessoas do aviĆ£o iam saindo, saindo e cadĆŖ ele? Todos os passageiros haviam saĆ­do, menos ele. Meu Deus, serĆ” que aconteceu alguma coisa? CadĆŖ ele? Mandei um sms perguntando por ele. Demorou alguns minutos e ele logo respondeu. – Calma mĆ“, o aviĆ£o atrasou, vou demorar um pouco, mas eu vou chegar. Era disso que eu precisava, eu só queria uma confirmação que ele iria vir, e ele me deu. Pronto! Estava mais aliviada. Eu nĆ£o tinha muitas opƧƵes, entĆ£o, sentei-me na cadeira e fiquei esperando por ele. O tempo foi passando, passando e nada, e eu ficava mais angustiada. Ali fiquei. Acabei dormindo sentada na cadeira ,com a cabeƧa encostada no ombro de um senhor que estava ao meu lado. Havia amanhecido .AlguĆ©m me cutucava, passava as mĆ£os em meu rosto de maneira bem suave. Eu acordei. MĆ“, vocĆŖ veio! Sorri, passei as mĆ£os em meus olhos e logo vi que aquela pessoa que estava a minha frente, era bem diferente do meu amor. Era o senhorzinho que estava ao meu lado. Ele, coitado nĆ£o estava mais aguentando o peso de minha cabeƧa em seu ombro e tinha me acordado. Eu muito sem graƧa pedi desculpas e tratei logo de sair dali. Olhei pro lado, olhei por outro e nada do meu amor aparecer. Fui ao banheiro lavar o rosto, afinal, meu amor nĆ£o podia me ver daquele estado. Logo que sai do banheiro, vi o televisor que anunciava os voos que decolavam e os que pousavam. Procurei pelo do meu amor, nĆ£o achei. Fui novamente pedir informaƧƵes, e a moƧa disse palavras que foram como facadas em meu coraçãoā€œā€“ Minha senhora, todos os aviƵes que tinham que pousar, jĆ” pousaram. NĆ£o tem mais voos dessa cidade.ā€

Princesa Inquieta