Esses dias adomingados, esta garganta golfante que escorre do fel vermelho venoso, sem ar, nem água, só carcaça de um desleixo, do desamor de um gueixo, comi minhas vértebras no almoço de comemoração, beberás do meu sangue pois está é sua missão, encherá de veneno estes ouvidos surdos, adicionará pimenta nessas lágrimas mortíferas, fez de mim o nada de um tudo pela metade; fez de mim um instrumento sórdido; matou-me. Assassinou-me com o cálice umedecido pelas lágrimas nunca derramadas. Alimentou-se da minha carcaça que foi caindo aos poucos, gradativamente, e você, como um bom espectador, deixou o espetáculo concluir-se; claro, sempre foste o seu trabalho. A igreja inerte a um sentimento de compaixão sem uma duração definida; você era o primeiro da fila, cuspiu e riu da minha pobre existência, a mesma que sempre fora morta ao nascer do sol e renascido ao surgimento da lua no horizonte. Sou o morto-vivo; vivo por um sentimento e sou morto pelo eco do silêncio, eco do teu silêncio. Solidão engole-me e você, como um corvo, faz de mim o teu alimento. Sacia-me com as tuas ilusões e destrói-me com tuas palavras de afeto. Alma destroçada por mentiras e falsas promessas serve de alimento para o ego que tens guardado dentro de si; ego de um homem que prefere destruir toda uma raça do que ter um corte em seu peito. Fui destruído pela arrogância de persistir em alguém que, simplesmente, foi o coveiro da minha lápide. Fui morto pelo meu amante; fui assassinado por aquele que deveria ser o meu protetor.
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secretaria-da-morte em companhia de incolumo





